Deus chama os fracos e os pecadores

Solenidade de São Pedro e São Paulo  04/07/2021

Pedro e Paulo, por óbvio, são o centro das leituras desta solenidade. Quero aproveitar para refletir, a partir da vida dos dois, sobre algo comum a eles e a nós: a fé.

Pedro era um simples pescador, rude, impulsivo, sem formação religiosa. Surge no início da vida pública de Jesus. Paulo, também judeu, tinha instrução, acreditava no Deus único, mas era um perseguidor dos cristãos, um assassino. Começamos a ouvir seu nome após a ressurreição de Jesus, quando a Igreja estava em formação e sendo perseguida. Então você, querido leitor, não importa qual a sua situação, fraco ou pecador, novo ou velho, sua vida coincide com as de Pedro e Paulo, já que estará sempre sendo chamado para fazer parte da obra de Deus. Mas, para isso, vai precisar de fé. Aliás, mais do que isso.

Ao longo da nossa caminhada, Deus vai nos perguntando quem Ele é. Pedro, inspirado pelo Pai, fez a sua profissão de fé: “… Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Uma leitura desatenta pode nos levar à falsa conclusão de que Pedro teria alcançado a maturidade da fé. Vale lembrar que, dois capítulos antes, Pedro afundava ao caminhar sobre as águas e ouviu de Jesus “… homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31).

A fé de Pedro era sincera, mas ainda não era profunda. Uma fé superficial não é capaz de nos sustentar no seguimento de Jesus. Esse mesmo Pedro, a quem Jesus disse “… tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja” (Mt, 16,28), depois seria chamado de satanás pelo próprio Jesus, faria juras de amor, dormiria na hora da vigília, cortaria a orelha do soldado, negaria Jesus três vezes e fugiria da crucificação de Jesus. 

A maturidade da fé de Pedro viria se estabelecer somente depois de Pentecostes, pois é o Espírito Santo que nos proporciona vivermos o amor de Cristo. Ao recebermos esse amor, somos impelidos a amar de volta. É no amor de Cristo, e no amor a Cristo e ao próximo, que nossa fé se aprofunda e frutifica. É a árvore que cria raízes e dá frutos, desde que permaneça Nele.

A vida de Paulo é um testemunho desse amar de volta. Amor tão verdadeiro que Paulo, que ofereceu a sua vida por Cristo (Gal 2,20: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim”), se oferece como Cristo, na própria morte: “Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida.” (2Tm 4,6).

Como ele conseguiu fazer essa entrega de si mesmo? Como Pedro também teria forças mais adiante para não fugir da cruz e pedir para morrer crucificado de cabeça para baixo? O próprio Paulo respondeu na Segunda Leitura: “Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças …” (2Tm 4,17). É o que nos lembra o refrão do Salmo 33: “De todos os temores me livrou o Senhor Deus”. 

Completa-se a afirmação da presença de Deus no versículo 8 do Salmo 33: “O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!”

O anjo do Senhor, como ouvimos na Primeira Leitura, estava na prisão para libertar Pedro. Que o Senhor envie seus mensageiros para nos libertar das algemas da nossa soberba, do nosso egoísmo, para que estejamos livres para receber o amor de Deus que se ofereceu em sacrifício para nos salvar. Sacrifício esse que muitas vezes não valorizamos, todas as vezes que deixamos de buscá-Lo na Eucaristia, prova viva do amor de Deus.

Concedei-nos, ó Deus, por esta Eucaristia, viver de tal modo na Vossa Igreja que, perseverando na fração do pão e na doutrina dos Apóstolos, e enraizados no Vosso amor, sejamos um só coração e uma só alma. (Oração depois da Comunhão)

Leituras:

1ª Leitura (At 12,1-11)

Salmo 33/34

2ª Leitura (2Tm 4,6-8.17-18)

Evangelho (Mt 16,13-19)

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